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Eat-in, uma manifestação diferente

10 mar

Comer algo bom, com prazer, num lugar público e inusitado, com pessoas que dividem os mesmos interesses e querem promover uma boa causa, isso é o que  se espera de um bom eat-in.

O conceito ainda é pouco difundido, mas ganha espaço. Nos encontros da organização Slow Food, por exemplo, podemos sempre esperar um eat-in para promover refeições de qualidade.

No último Salão do Gosto em Turim, na Itália, o Youth Food Mouviment (movimento jovem ligado a Slow Food), não deixou a ocasião passar em branco. No último andar de um antigo estacionamento aéreo transformado em centro comercial, longas mesas foram montadas para acolher os participantes. Os chefs voluntários cuidaram da preparação do almoço, os organizadores colocaram a mesa e cuidaram da decoração e os convidados trouxeram um produto para dividir com os outros. No grande grupo poucos já se conheciam, o que proporcionou novos encontros e discussões animadas.

Outros encontros também são oportunos, como o dia do vizinho festejado na França.

Já nos EUA em 2009, um grande eat-in familial foi organizado no feriado do 1 maio no intuito de passar uma mensagem aos parlamentares. O que os participantes queriam era promover uma alimentação de qualidade nos refeitórios e cantinas das escolas americanas.

Piqueniques, churrascos, encontros em praças em dias festivos, as idéias e oportunidades para montar um eat-in são inúmeras . Mais interessantes que passeatas ou ações agressivas, os eat-in promovem causas nobres com encontros e boa comida.  O que mais pedir?

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Mercados e feiras no mundo : Les halles de Paris

28 fev

Já falamos aqui do mercado internacional de Rungis, situado próximo à capital francesa. Mas antes de existir Rungis, existia os Halles de Paris, um grande mercado bem no centro da cidade.

Les halles. Robert Doisneau, 1945

A história do mercado de Paris começa no século XII, quando uma feira alimentar é criada no atual segundo arrondissement (bairro). Aos poucos o mercado ganha forma, as peixarias se instalam, o rei François I se implica na reforma do local (que durará cerca de 30 anos). O mercado é o verdadeiro centro de abastecimento de Paris e por isso de grande importância no projeto político do país. Mas foi depois da revolução francesa e no governo de Napoleão, que o local começa a ser repensado. No século XIX, 10 pavilhões com armação em ferro e paredes de vidro são construídos no intuito de melhorar a organização e limpeza do mercado.

Limpeza do mercado. R. Doisneau, 1955

Oito séculos mais tarde, em 1962 o governo resolve definitivamente mudar o mercado de local, problemas de abastecimento, transporte e de higiene contribuem para essa decisão.

Les halles. R. Doisneau, 1968

O encerramento definitivo do mercado em 1969 deixa um vazio no centro de Paris. Protestos e petições não são suficientes para mudar a decisão. Os parisienses órfãos do grande mercado terão que mudar seus hábitos e virar uma página da história da capital.

Nem só de sushis e sashimis vivem os (restaurantes) japoneses

25 fev

(c) restaurantfufu.fr

Quando se fala em restaurante japonês logo se pensa em sushi e sashimi, o que na verdade é muito restritivo. A culinária japonesa é uma das mais ricas, saborosas e saudáveis, capaz de fazer muito velhinho passar dos 100 anos de idade.

No ocidente ainda estamos a descobrir estas tais riquezas, mas depois da abertura do Fufu em Bordeaux, damos mais um passo nessa caminhada. Nesse restaurante minúsculo somos transportados direto para um outro ambiente, mais “quente” (não só por causa das woks no fogo!), cosmopolita, intimista, onde os clientes se apertam no longo balcão logo em frente aos cozinheiros. O vai e vem dos fregueses e da atendente que faz os pedidos em japonês para seus colegas, que repetem em voz alta para confirmar, dão vida ao local.

Nesse “bar a noodle”, são servidos pratos rápidos e caprichados, com preço acessível, entre 5 e 10 €. Como se pode imaginar, nada de sushis, mas deliciosos ramen, sopa com massa e vários outros ingredientes, dependendo do tipo escolhido. Pode ser gengibre, bambu, algas, carne, gergelim… Os do Fufu são mesmo uma delícia e a porção é mais que generosa.

(c) restaurantfufu.fr

O noodle bar, que faz parte da cultura gastronômica do Japão, ainda é novidade por aqui. Mas se depender da aceitação do público de Bordeaux,  que está sempre na fila do take away ou esperando um lugar se liberar dentro do restaurante, o conceito também tem tudo para se difundir. Vida longa ao Fufu!

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Fufu Japanese Noodle Bar

37, Rue Saint Rémi, Bordeaux, França.

Comer uma francesinha no Porto, quem não gosta

17 fev

Na cidade do Porto, só os vegetarianos ficam longe das francesinhas, um sanduíche mais que completo. Entre as duas fatias de pão de forma encontramos : salsichas, presunto, lingüiça e ainda um bife, tudo coberto com queijo e um molho picante que só os especialistas conseguem reproduzi-lo. Uma iguaria que não é servida em nenhuma outra cidade de Portugal.

E como as francesinhas chegaram ao Porto? Conta-se que no passado um chef português depois de uma visita à capital francesa voltou com a tal idéia na cabeça. Inspirado pelo croque-monsieur, a versão francesa e chique do bom e velho misto quente brasileiro, ele resolveu fazer a sua própria versão.

A receita parece um tanto exagerada, mas não há como não cair em tentação e se apaixonar pela francesinha. Salada para acompanhar? Pra quê! O bom mesmo é comer com batatas fritas e uma cerveja gelada, dica dos especialistas!

Francesinha. Café Avis

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Curioso para experimentar a francesinha? No Porto, os restaurantes e marisqueiras Cufra (Avenida da Boavista, 2504), Gambamar (Rua do Campo Alegre 110) e Galiza (Rua do Campo Alegre 55) estão entre os mais tradicionais.