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Nem só de sushis e sashimis vivem os (restaurantes) japoneses

25 fev

(c) restaurantfufu.fr

Quando se fala em restaurante japonês logo se pensa em sushi e sashimi, o que na verdade é muito restritivo. A culinária japonesa é uma das mais ricas, saborosas e saudáveis, capaz de fazer muito velhinho passar dos 100 anos de idade.

No ocidente ainda estamos a descobrir estas tais riquezas, mas depois da abertura do Fufu em Bordeaux, damos mais um passo nessa caminhada. Nesse restaurante minúsculo somos transportados direto para um outro ambiente, mais “quente” (não só por causa das woks no fogo!), cosmopolita, intimista, onde os clientes se apertam no longo balcão logo em frente aos cozinheiros. O vai e vem dos fregueses e da atendente que faz os pedidos em japonês para seus colegas, que repetem em voz alta para confirmar, dão vida ao local.

Nesse “bar a noodle”, são servidos pratos rápidos e caprichados, com preço acessível, entre 5 e 10 €. Como se pode imaginar, nada de sushis, mas deliciosos ramen, sopa com massa e vários outros ingredientes, dependendo do tipo escolhido. Pode ser gengibre, bambu, algas, carne, gergelim… Os do Fufu são mesmo uma delícia e a porção é mais que generosa.

(c) restaurantfufu.fr

O noodle bar, que faz parte da cultura gastronômica do Japão, ainda é novidade por aqui. Mas se depender da aceitação do público de Bordeaux,  que está sempre na fila do take away ou esperando um lugar se liberar dentro do restaurante, o conceito também tem tudo para se difundir. Vida longa ao Fufu!

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Fufu Japanese Noodle Bar

37, Rue Saint Rémi, Bordeaux, França.

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Patrimônio mundial requentado no micro-ondas

19 jan

Enquanto a Unesco elege a gastronomia francesa patrimônio imaterial da humanidade, a reportagem* de Michel Guétienne et Frédéric Bohn divulgada na televisão francesa (25/11/10) mostra aspectos mais sombrios dessa gastronomia. Pratos típicos congelados, sopas em pó, conservas industrializadas, alguns chefs não hesitam em utilizar artifícios como estes para facilitar o preparo dos pratos e baixar os custos. Alguns vão mesmo fazer suas compras em supermercados especializados na venda exclusiva para restaurantes de pratos congelados.  E, se por um lado a cozinha se industrializa e perde o seu savoir faire, do outro lado do balcão o menu continua a descrever pratos típicos, que deveriam ser preparados no dia com ingredientes frescos e com o toque pessoal do chef.

Afinal, por que pagar 15 € por um prato cheio de falsos ingredientes (gordura hidrogenada, espessantes, colorantes, conservadores…) e que além do mais é comercializado por bem menos no supermercado? Quando se vai ao restaurante o que se espera é ser surpreendido por novos sabores, degustar pratos elaborados, feitos com paixão, experimentar receitas de família, transmitidas de geração em geração.

É  preciso ter em mente que a comida tem um preço, que chefs qualificados não trabalham de graça e que endereços turísticos aproveitam do fato que os clientes não voltarão no dia seguinte para reclamar. Para diminuir o risco de se decepcionar, o melhor é optar por pratos feitos com ingredientes da região e prestar atenção nos preços. Na cozinha não há milagres e não existe foie gras de qualidade servido num menu a 10 €. Atenção então, ao barato que sai caro, mesmo na terra da gastronomia.

*A reportagem ainda está disponível no site do programa Envoyé spécial do canal France 2 : Restaurants, la gastronomie du micro-ondes.