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Memórias de um domingo gracioso

30 jun

Domingo de muito calor, mas refrescos e bom humor transformam o dia. No restaurante estrelado do chef Mariottat a comida é francesa, mas nesse dia especial o serviço é inspirado nos vizinhos espanhóis. Pratinhos e pequenas porções, como as tapas, são ideais quando se quer tudo experimentar.

churrasco à la française? As pedras quentes cozinham num instante a carne já cortada.

Na bela casa dos Mariottat. Agen, França.

Sem esquecer a feira com bons produtores organizada no patio e que o evento tinha o aval Slow Food!

*Fotos improvisadas com o celular

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Os cannelés de Bordeaux

27 abr

Esses bolinhos saborosos, crocantes por fora e macios por dentro, são um dos segredos culinários de Bordeaux. Mesmo na França, a receita ainda é pouco difundida e os que não moram na região nem sempre conhecem esses bolinhos saborosos.

Variante cannelés com nutella, editora Marabout.

Os puristas dizem que a receita é complexa e difícil de ser reproduzida nos fornos caseiros. Que uma forma em cobre, caríssima diga-se de passagem, e um forno industrial, são necessários para obter a perfeição. Mas, cada vez mais, as donas de casa, editoras de livros de cozinha e marcas produtoras de formas em silicone, tendem a ignorar esses dados. A moda dessa guloseima parece se instalar de vez.

Se o nome cannelé faz pensar em uma iguaria feita com canela, não se deixe enganar, pois ela não entra na receita. O nome seria derivado da palavra em Gascon “cannelure”, que faz alusão à forma do doce, com essas textura característica. O gosto especial fica por conta do rum, que entra na receita à base de leite, farinha, açúcar, baunilha e gemas de ovo.

As origens não são muito bem conhecidas, mas acredita-se que o bolinho teria sido criado no século XVIII no convento das Annonciades de Bordeaux. Depois, teria caído no esquecimento. O sucesso veio nos anos 1980, quando foi ressuscitado pela família Baillardran, que transformou o cannelé em artigo de luxo. Hoje, eles dominam o mercado e estão presentes em todos os cantos da cidade.

Outros textos fazem alusão ao fato que as claras de ovo eram usadas no tratamento das vinhas, para prevenir os ataques de pragas, e que então, as gemas eram usadas para fazer os doces.

Simples, gostosos e crocantes, os cannelés são hoje, incontornáveis em Bordeaux.

Moules frites, uma combinação francesa de sucesso

23 fev

Moules frites pra lá, moules frites pra cá, no verão toda brasserie que se preze na França serve o tal prato.  Ainda mais se esta possuir une terrasse, uma varanda (o prolongamento do restaurante na calçada também está valendo). De tanto ver nas propagandas e cardápios dos restaurantes, fiquei curiosa.

Depois de conferir no dicionário fica fácil saber que moule, nesse caso, quer dizer mexilhão. Mas mexilhão frito ? A iguaria me parece um tanto estranha, mesmo na terra de Asterix…

Isolada em uma pequena cidade da França profunda, longe do centro e sem carro (e sem poder contar com o transporte público), prefiro esperar um convite para ir degustar as tais moules frites e descobrir com meus próprios olhos (ou boca) como os franceses degustam o fruto do mar. Pois o convite não tarda a chegar, e num belo dia de sol (dentro dos parâmetros da Bretanha), num passeio pela ilha de Brehat, minha colega sugere o tal prato para o almoço. Ótimo, era isso que queria, finalmente vou descobrir a cara do tal mexilhão frito – penso eu com meus botões.

Pois e não é que descubro que, de frito o mexilhão não tem nada? Na verdade, a fritura fica por conta das batas fritas que acompanham os moluscos. O certo mesmo seria “moules et frites”, mas a associação dos dois ingredientes deu origem a um prato só, e assim o “et” acabou caindo fora, o que gera uma certa confusão para os desavisados como eu. Mas ufa, melhor assim.

Porém, mesmo não sendo fritos, os mexilhões surpreenderam. Na Europa em geral, eles são preparados e servidos ainda com a concha, o que nunca tinha visto no Brasil. Assim, come-se um a um, servindo-se da concha do primeiro mexilhão saboreado como pinça para descolar os próximos. Preparados à la marinière (com vinho branco e ervas aromáticas) ou com creme, eles são mesmo saborosos e uma delicia para se degustar com batatas fritas crocantes, do lado de fora dos restaurantes e de preferência com a brisa do mar soprando… ah, c’est si bon

 



Em Bordeaux, os vinhos licorosos enobrecem a reputação da região

10 fev

A região do sul de Bordeaux é conhecida pela produção de vinhos doces e licorosos, chamados de Sweet Bordeaux. Esses vinhos são o fruto de um micro-clima específico e do botrytis cinerea, um fungo nobre que participa no processo de fermentação do vinho e ajuda a acentuar o açúcar e aroma original das uvas. Dentro dessa região, dividida em diferentes terroirs, cada vinho possui suas especificidades.

Ao total, existem 11 Apelações de Origem Controlada (AOC) para o Sweet Bordeaux, o que quer dizer que somente os vinhos produzidos dentro do território demarcado podem receber essa apelação.

Esses vinhos são degustados frescos (entre 8 e 10°) e vão bem no aperitivo antes da refeição, para acompanhar carnes brancas, queijos e sobremesas. Eles envelhecem bem e com o tempo desenvolvem ainda mais seus sabores.

O Sauternes faz parte dos AOC Sweet Bordeaux e é um dos mais reputados com sua bela cor ouro velho. Para realmente apreciar seus aromas, é preciso escolher um vinho já com alguns anos de envelhecimento.

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Para conhecer os outros AOC e mais detalhes, visite o site Sweet Bordeaux (em inglês e francês).