La chandeleur : o dia do crepe

7 fev

Todo dia é dia de comer crepes, mas durante a “festa candelarum”, ou festa da Candelária, celebrada no dia 2 de fevereiro (quarenta dias após o natal), a tradição ganha um sabor especial na França. Essa festa pagã, transformada em comemoração cristã em meados do século V, marca o dia da apresentação de Jesus no templo de Jerusalém. A origem da tradição do crepe nessa data é mais confusa, mas segundo um ditado popular caso o trigo não fosse usado na Chandeleur para fazer a iguaria, ele seria extraviado.

Vale dizer que na França o crepe vem da região da Bretanha e é reservado aos recheios doces. O salgado se chama galette e é feito com outra farinha, mas isso é uma outra história.

Quem quiser testar em casa uma receita tradicional de uma creperia de Vannes (cidade da Bretanha) divulgada no jornal Ouest France na semana passada aqui vai :

– 200 g de farinha

– 100 g de açúcar

– 500 ml de leite

– 4 ovos

Misturar tudo para obter uma massa bem fofinha e não muito grossa. Deixar descansar de preferência cerca de duas horas e se preciso adicionar um pouco mais de leite. O segredo é espalhar bem a massa numa frigideira quente e untada com manteiga. As receitas podem variar, baunilha, rhum/cachaça ou conhaque dão um sabor especial. Açúcar, limão, geléias e chocolate são os recheios mais comuns, mas o caramelo feito com manteiga com sal é um dos mais tradicionais na França e um dos mais saborosos!

Padaria self-service

11 out

Em alguns países os distribuidores automáticos vendem latinhas de refrigerante ou bebidas quentes, na França existe também o distribuidor “padaria self-service”. Ela ainda não ganhou as ruas de todas as metrópoles, mas garante a baguete nossa de cada dia nas cidades mais isoladas!

Mas atenção! Sexta-feira não há pão.

Nespresso e o café justo

13 set

Nesses últimos dias a ONG Solidar criou o buzz com um vídeo satírico da famosa propaganda da Nespresso onde George Clooney é vítima de um objeto que cai do céu. O objetivo da campanha, que suscitou em alguns dias o comentário de cerca de 30 mil internautas,  é debater sobre a origem dos cafés da multinacional e pedir que incluam em sua gama de produtos, um café do comércio justo. Na versão da Solidar, feita na Suíça, George Clooney escapa de um piano, mas acaba esmagado, ao menos em parte (ou “partes”), pelo letreiro da loja. A frase final em off, diz a George, que um produtor de café explorado sente a mesma dor.

A campanha parece surgir efeito e incomodar. A multinacional reagiu rapidamente aos comentários no twiter, alegando uma atitude responsável e ser um dos compradores que paga o melhor preço do café na Colombia. Na página Facebook um outro vídeo sobre como um programa da marca que ajuda os produtores de café na Costa Rica e na India a adotarem práticas de trabalho mais responsáveis e sustentáveis foi postado numa tentativa de limpar sua imagem.

Mas o mais interessante é que  os diretores da Nestlé aceitaram se encontrar nessa última sexta-feira, dia 9/8, na Suíça, com alguns responsáveis da ONG e uma outra reunião deve acontecer em breve.

Quem sabe, logo, logo, não veremos George Clooney vestido de verde vendendo cafezinhos “fair trade”? Escrevam a George!

Queijos e mais queijos

6 set

Na terra do vinho, o queijo não é de se menosprezar. Quem pensa que os queijos franceses se resumem ao brie, roquefort e camenbert estão longe de conhecer toda a verdade. Difícil de contar, mas fala-se de mais de 300 tipos preparados com leite de vaca, ovelha ou cabra. As texturas, cores e odores variam muito, e claro, o gosto também. Muitos possuem o selo de origem controlada (Appellation d’Origine Controlée – AOC) e devem ser fabricados em uma determinada região, como é o caso do verdadeiro camenbert, que vem da Normandia, ou do Cantal, que vem do departamento de mesmo nome. A lista é grande. A tradição também. Os puristas preferem os feitos com leite cru, não pasteurizado, o que dá mais sabor.

O gosto pelo queijo não é restrito ao hexágono francês. Na Europa em geral, os queijos são muito apreciados e encontramos outras variedades bem diferentes. Como é o caso desse feito na Bósnia, que envelhece dentro de um saco feito diretamente com a pele da ovelha. O tamanho do animal é que determina o tamanho do produto final. Uma especialidade cada vez mais rara e que é uma delícia.

A Itália é outra pátria famosa pelos seus queijos. O produto é valorizado a tal ponto que, hoje, virou moeda de troca. No banco do parmeggiano os produtores depositam uma parte da produção (o tempo necessário para o envelhecimento do queijo) e saem com dinheiro vivo. Quando o empréstimo for reembolsado o produtor pode retirar a sua mercadoria novamente!

Com tantos queijos e histórias diferentes na Europa e no mundo, não é a toa que o Slow Food resolveu, desde 1997, fazer um salão especialmente dedicado ao assunto, o Cheese (esse ano do 16 ao 19/09, em Bra, Itália). Uma oportunidade para se degustar variedades das mais saborosas e aprender um pouco mais sobre o assunto. Quem ficou curioso pode visitar o site Slow Food com um ensaio fotográfico de alguns dos queijos mais extraordinários.

(c) arquivo Slow Food